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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

PSICOLOGIA E SAÚDE





O INDIVÍDUO COMO FOCO DE ATENÇÃO



Armando Ribeiro das Neves Neto




mailto: Netoarmandopsico@hotmail.com




Psicólogo Doutorando em Ciências da Saúde pela UNIFESP-EPM



Ao cuidar da saúde, invariavelmente, corre-se o engano de supervalorizar o estado clínico (orgânico) do paciente em detrimento de suas outras dimensões (ex. sociais e subjetivas). Para as condições agudas, em que o atendimento deve ser pontual as questões emergenciais é coerente não atentar para a subjetividade do sujeito doente, ou mesmo de sua história social, pois como bem re-conhecemos o emprego dos maravilhosos recursos medicamentosos e cirúrgicos dão conta destas situações, será isso totalmente verdade?



O cotidiano dos profissionais de saúde, ou de muitos deles, cria uma certa atmosfera de urgência, distância e imparcialidade absoluta ao contato com seu sujeito, aquele que deve receber seus primorosos cuidados fica sempre aquém do problema objetivo, real e concreto que o leva até a instituição de saúde, sua doença é o objeto principal deste cenário de cuidados à saúde. E o doente, onde fica?



Pelo que temos sentido e vivido no hospital de hoje não há um lugar para o sujeito doente, este lugar é da doença, esta sim é levada a sério (?), é motivo de orgulho ou de tristeza dos profissionais da saúde (ou melhor dizendo, doença) que lutam contra ela, ou se aliam a ela em oposição ao sujeito dela... (ex. distanásia e a iatrogenia).



Historicamente o papel da relação profissional de saúde – paciente vem sendo atacado, ora por ignorância de seu primordial papel no tratamento e restabelecimento da saúde, ora pelo desprezo econômico/político que impera no campo sagrado da saúde.
O que a Psicologia pode acrescentar aos cuidados em saúde?



Em saúde muitas coisas, mas seu principal papel é despertar os profissionais de saúde (os cuidadores) para o principal sujeito de seu cuidado – o paciente.



Não pode existir doença, sem que o sujeito esteja manifestando sua capacidade indissolúvel de existir. A doença compreendida como parte da existência de um sujeito, retorna ao cuidador a mensagem de sua própria existência, finitude e humanidade.



Psicologia e Ciências da Saúde compreendem as diversas maneiras pelas quais os indivíduos e a humanidade, exprimem seus limites e potencialidades, por isso não há razão para ignorar a importância do estudo do sujeito (doente ou não) e juntos cuidar de sua saúde.



Cada vez mais (felizmente) a consciência dos profissionais de saúde os aproxima do sujeito, novos problemas como: a não-aderência ao uso de antiretrovirais, a dependência química e a desilusão tecnológica, permitem o contato humano entre duas pessoas que possuindo papéis diferentes na mesma situação, não possuem valores diferentes para a humanidade.




Focar o indivíduo é prestar atenção à sua saúde, integridade e humanidade.




Bibliografia
BALINT, M. O médico seu paciente e a doença. São Paulo, Atheneu, 1988.
BERLINGUER, G. A doença. São Paulo, Cebes-Hucitec, 1988.
BOFF, L. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra. Rio de Janeiro, Vozes, 1999.
TOTMAN, R. Causas sociais da doença. São Paulo, Ibrasa, 1982.






Fonte:http://www.datasus.gov.br/cns/temas/tribuna/PSICOLOGIA%20E%20SAUDE.htm

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